segunda-feira, 12 de junho de 2017

Tarsila do Amaral - a última entrevista

 Tarsila do Amaral, 1972.

 Abaporu, de Tarsila do Amaral - 1928.

Retrato de uma antiga ama de leite e a A Negra, de 1923.

Tarsila do Amaral - a última entrevista

"O que será aquela coisa?"
Foi o que ela quis saber, na Europa, ao ler uma carta de Anita Malfatti sobre a semana de Arte Moderna.

Por Leo Gilson Ribeiro.

Apoiada numa pilha de travesseiros, as mãos inquietas afagando telas minúsculas que está pintando por encomenda, Tarsila do Amaral, 75 anos, tem um sorriso irônico para falar de seus passatempos hoje que está presa a uma cama, depois de uma queda que afetou sua coluna. Levanta o lençol azul florido que cobria dois volumes grossos sobre os quais apoiava os cotovelos: "Eu gosto de ler dicionários, imagine que hoje aprendi a pronúncia exata de 'exegeta'". Coquete, prefere não ser fotografada acamada ("Por que não reproduzem as fotos de quando eu era jovem?"). Não conhece bem a música de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque: são nomes que ouve no rádio mas muda o dial, "pois sempre achei a música popular tão banal, às vezes gosto é de Debussy, tão poético e colorista!" Servindo canjas brasileiras a Cocteau em Paris e vinhos da adega do Tour s'Argent a Mário de Andrade em São Paulo, a "musa" (ausente) da Semana de 22 achou-se dividida quando houve a "guerra da lagosta" entre a França (país que adora e cuja língua fala com um sotaque de senhorita aristocrática da alta burguesia parisiense) e o Brasil, mas predominou a veia nacionalista: "Afinal, as lagostas são nossas!"
Não se interessa pela arte moderna, para ela os móbiles de Calder não são arte: "O senhor acha que fazer equilibrar aquelas coisas coloridas é arte?!" Negou-se a ver as peças do seu ex-marido, Oswald de Andrade, porque ouviu dizer que "eram muito indecentes". Acusada de ter sido uma mulher de muitos amantes, desmente entre amuada e triste essa reputação "Pois se eu sou até puritana, minha Nossa Senhora!"
Desistiu de ler Guimarães Rosa? "Era um escritor que usava uma linguagem tão esquisita!" Não se incomoda com o barulho das serras elétricas das construções que se filtra até pelas janelas fechadas de seu apartamento no bairro paulista de Higienópolis. "Estão construindo um mundo tão diferente do meu! Até a Europa me dizem que hoje é tão diferente, Paris está tão mudada, para pior, que não vale a pena ir até lá. Paris foi a que eu conheci na mocidade."
Tarsila do Amaral está lúcida embora divague ao responder a uma pergunta. Muitas frases que intercala entre um assunto e outro refere-se a recordações isoladas, que lhe ocorrem no momento. Assistida por dona Anette, sua secretária e enfermeira, que lhe prepara também as telas, a pintora mantém um espírito vivaz, irônico e uma cordialidade fidalga que soa pouco moderna no mundo de hoje. "Grande dame" da sua época, ela é hoje uma excelente dialogadora, cheia de graça e de uma irreverência sutil para om os grandes da Semana ou da Paris eletrizante que conheceu.

Leo Gilson Ribeiro - A senhora estava na Europa, durante a Semana. Mesmo assim, é considerada uma de suas figuras principais. Por que?
Tarsila - Embora eu estivesse na Europa, eu acho que participei da Semana de 22 pela carta que a Anita Malfatti me mandou, contando tudo, com todas as minúcias. Agora nem sei onde essa carta foi parar. Eu fiquei admirada do que ela me contou e com a grosseria do Monteiro Lobato quando falou sobre ela, sem compreender nada, muito reacionário, pois imagine que ele se julgava pintor, o Monteiro Lobato, sabe? Eu fiquei muito admirada: o que será esta coisa? A Anita ficou magoada com toda a razão, o Monteiro Lobato falava dos quadros dela como se fossem feitos por um burro com um pincel amarrado no rabo e conforme as moscas atormentavam o burro ele dava aquelas pinceladas assim na tela, não é?

Leo Gilson Ribeiro - Mas a Semana...
Tarsila - Nas vésperas de ir para a Europa eu aluguei meu atelier para um professor alemão, o professor Elpons, o único impressionista que estava no Brasil. Ele foi o único que me deu uma experiência dos quadros impressionistas porque aqui no Brasil não chegava nada, só através do professor Pedro Alexandrino, que esteve vinte anos em Paris e visitava muito aqueles grandes pintores, que ele conhecia todos. Muita gente dizia: é perder tempo ir trabalhar no atelier de Pedro Alexandrino porque é um passadista; mas ele tinha preparo, pensando bem não era perder tempo não.

Leo Gilson Ribeiro - Como a senhora descobriu o seu talento?
Tarsila - Eu comecei a trabalhar (em São Paulo) sob a direção de Pedro Alexandrino e não me fez nada de mal de ver que era uma coisa antiga, acadêmica, tinha aquele método antigo de copiar "à fusain" para exercitar a mão, fiz até a cabeça de um negro, ele queria que eu tivesse a mão muito firme e me dava então aquele papel muito grande para trabalhar, não é? ele ia me explicando tudo, fazer traços sem régua, sem nada. Comecei com o desenho, eu não era uma colorista no princípio, fazia cópias de gesso também, com sombreado, coisas de anatomia que tinha que copiar, conhecer bem. Ele trabalhava no Liceu de Artes e Ofícios e trazia aqueles modelos e era muito bom porque a pessoa aprendia anatomia e sabia as proporções, não é?

Leo Gilson Ribeiro - São Paulo era muito provinciana nas artes?
Tarsila - Ah, era, o gosto geral era pelas paisagens iguaizinhas à vida, era o reino da natureza morta também, as fulgurações do metal copiadas na tela, tão real! Isso não foi prejudicial para mim, foi uma fase preparatória. Quando cheguei na Europa fui logo para a Académie Julien, academia de nus, num grande salão, eu fui com meus trabalhos: uma cabeço de velho feita a pastel, depois uma holandesa com óleo já e o negro, que foi a carvão. Havia muitos ateliers e a mado era dos nus: punham o modelo só cinco minutos diante do artista para ele fazer rapidamente, eu gostava até porque já tinha prática. Depois fui estudar com um grande professor hors concours, fazia exposições, gostava muito da minha pintura, agora me esqueci do nome dele. Ele chamava a atenção dos alunos para o que eu fazia, sabe? Eram muitos e como eu trabalhava rápido ele gostava e dizia para o atelier grande: "Voyez ce qu'elle fait, comme c'est puissant!" (Olha só o que ela faz, como tem força!) Eu voltei ao Brasil pouco depois da Semana, mas eu não gostava do que a Anita Malfatti fazia, era tudo assim muito deformado. Mas é claro que estava completamente chocada e contra o Monteiro Lobato. Depois, no fim do ano, a Anita foi trabalhar também com Pedro Alexandrino, porque a mãe da Anita era muito passadista e vivia contra a filha e contra as inovações dela na pintura, dizia que aquilo não prestava. A Anita ficava muito desanimada da mãe se zangar por ela não fazer o parecido, a mãe não compreendia nada, era um horror!

Leo Gilson Ribeiro - A senhora achou um ambiente hostil quando voltou?
Tarsila - Eu cheguei nos primeiros dias de junho, vinha de navio, que não tinha a facilidade do avião, o Gago Coutinho é que ia atravessar o Atlântico logo depois. Mas era tão tranquila a travessia por mar!... Eram os navios da Mala Real inglesa, os melhores, e logo passou algum tempo a França fez também o "Lutèce" e o "Marsília". Não, não achei um ambiente hostil quando voltei. Eu recebi muitas pessoas, poetas, no meu atelier da rua Vitória. Era uma casa que pertencia à minha família mesmo.

Leo Gilson Ribeiro - A senhora era uma mulher muito bonita...
Tarsila - Quem? Eu? Bom, naturalmente, naquele tempo eu estava melhor do que estou hoje. Aí tive o encontro com o Oswald de Andrade, que era muito extravagante, falava mal de todo mundo, quando ele achava que uma coisa era engraçada, tinha que dizer mesmo que ofendesse os amigos, sacrificava tudo por um "bon mot". Uma vez o Paulo Prado brigou com ele e nunca mais quis falar com ele, sabe? Eu nem sabia por que, no entanto o Paulo Prado tinha feito um prefácio muito bom para o livro de Oswald, "Pau-Brasil", editado lá em Paris. Quando o Oswald tinha uma coisa para dizer, ele não resistia mesmo e aí falou sobre a dona Veridiana Prado e dizem que ela não era, bem... ariana, que ela tinha uma misturazinha lá e o Oswald falou daquela "gloriosa mulata que é dona Veridiana Prado". Ora, o Paulo Prado era parente muito próximo, de maneira que nunca mais falou com Oswald.

Leo Gilson Ribeiro - Ele brigou também com o Mário de Andrade?
Tarsila - Brigou também. Depois ficou com saudade dele, pediu que eu escrevesse uma carta para o Mário, o Oswald era muito temperamental, eu já estava casada com ele e escrevi mas o Mário respondeu que era impossível, que o Oswald o tinha ofendido demais, que ele estava muito ressentido, que não era possível, que comigo era diferente, ele sempre foi muito meu amigo, o Mário. Aí, quando o Oswald viu que ele não voltava mesmo as boas, continuou a falar mal do Mário. Era uma pena esse traço do caráter do Oswald... E com uma obra tão séria, não? as ilustrações dos livros fui eu que fiz todas.

Leo Gilson Ribeiro - O famoso "Aba-Puru" partiu daí?
Tarsila - Não, eu quis fazer um quadro que assustasse o Oswald, sabe? que fosse uma coisa mesmo fora do comum. Aí é que vamos chegar no "Aba-Puru". Eu mesma não sabia por que que eu queria fazer aquilo... depois é que eu descobri. O "Aba-Puru" era aquela figura monstruosa que o senhor conhece, não é? a cabecinha, o bracinho fino apoiado no cotovelo, aquelas pernas compridas, enormes, e junto tinha um cacto que dava a impressão de um sol como se fosse também uma flor e ao mesmo tempo um sol e então quando viu o quadro o Oswald ficou assustadíssimo e perguntou: "Mas o que é isso? Que coisa extraordinária!" Aí imediatamente telefonou para Raul Bopp, que estava aqui, e disse: "Venha imediatamente aqui que é para você ver uma coisa!" Aí o Bopp foi lá no meu atelier, ali na rua Barão de Piracicaba, um solar muito bonito que meu pai tinha comprado recentemente, o Bopp assustou-se também e o Oswald disse: "Isso é como uma coisa como se fosse um selvagem, uma coisa do mato", e o Bopp foi da mesma opinião. Aí eu quis dar um nome selvagem também ao quadro, porque eu tinha um dicionario de Montoia, um padre jesuíta que dava tudo. Para dizer homem, por exemplo, na língua dos índios era Abá. Eu queria dizer homem antropófago, folheei o dicionário todo e não encontrei, só nas últimas páginas tinha uma porção de nomes e vi Puru e quando eu li dizia "homem que come carne humana", então achei, ah, como vai ficar bem, Aba-Puru. E ficou com esse nome.

Leo Gilson Ribeiro - Então a senhora foi a origem do movimento antropofágico?
Tarsila - O Raul Bopp achou que devíamos fazer um movimento em torno desse quadro, achou esquisitíssimo, ele gostou muito e depois escreveu um livro interessantíssimo sobre o linguajar indígena do Amazonas. Todos começaram a dizer que o Oswald é que tinha feito o "Aba-Puru" e criado o movimento antropofágico. Ele aceitou que dissessem que era de autoria dele, achou interessante.

Leo Gilson Ribeiro - Daí ele passou a datar documentos a partir do ano em que os índios tinham comido na Bahia aquele bispo, o bispo Sardinha?
Tarsila - É, e fizeram o movimento da antropofagia e aí todas as quartas-feiras o Chateaubriand (com pronúncia francesa) ofereceu uma página no jornal para o movimento. Então vinha o Geraldo Ferraz, que era conhecido como açougueiro, falar de arte, não é? Era, sim, açougueiro porque antropofagia era comer carne, então ele é que contava e distribuía entre os leitores. Mas aí, como havia muita irreverência com as famílias que assinavam o "Diário de São Paulo", o Chateaubriand viu-se obrigado a pedir que não continuassem porque estava perdendo todos os leitores.

Leo Gilson Ribeiro - O "Aba-Puru" com aquela figura deformada, monstruosa, parece coisa de pesadelo.
Tarsila - Engraçado o senhor falar nisso, eu gosto de inventar formas assim de coisas que e nunca vi na vida, mas não sabia por que que eu tinha feito o "Aba-Puru" daquela forma. Eu me perguntava: "Mas como é que eu fiz isto?" Depois uma amiga minha que era casada com o prefeito me dizia: "Sempre que eu vejo 'Aba-Puru' me lembro de uns pesadelos que eu tenho", e eu então liguei uma coisa a outra, disse que devia ser uma lembrança psíquica ou qualquer coisa assim e me lembrei de quando nós éramos crianças na fazenda. Naquele tempo tinha muita facilidade de empregadas, aquelas pretas trabalhavam para nós na fazenda, depois do jantar elas reuniam a criançada para contar histórias de assombração, iam contando da assombração que estava no forro da casa, eu tinha muito medo, a gente ficava ouvindo, elas diziam: daqui a pouco da abertura vai cair um braço, vai cair uma perna e nunca esperávamos cair a cabeça, abríamos a porta correndo e nem queríamos saber de ver cair a assombração inteira. Quem sabe o "Aba-Puru" é reflexo disso?

Leo Gilson Ribeiro - Assim como o movimento antropofágico tinha relações com as culturas chamadas primitivas, dos índios, da África, etc., o Fernand Léger, com a sua temática de máquinas, fábricas, sociedade moderna, teve influência na sua pintura também?
Tarsila - Eu gostava muito da obra dele, fui muito amiga dele, mas não frequentei o atelier do Léger, eu era amiga da mulher dele também, depois até inventaram que ele tinha desenhado brincos para mim, etc., imagine! Eu me inspirei em São Paulo mesmo, na sociedade fabril e foi uma novidade naquele tempo, no Brasil, o que eu fiz. E fui tão bem aceita, que o governo do Estado comprou a minha obra, sabe, um quadro grande, está em Campos do Jordão, imitando em cima uma fábrica. Na época de minha exposição no Rio tive um amigo pernambucano que me mandou todos os recortes da crítica quando foi exposto lá o "Aba-Puru" inclusive. Havia invenções incríveis, diziam que meu atelier era como o atelier do Renoir, cheio de nus e não sei o que mais e que eu mandava espalhar pelo atelier inteiro divãs cobertos de veludos roxos, cada uma! E me confundiam com Anita Malfatti. Naquela época, o senhor imagina, uma jornalista do Rio chegou a escrever que o Oswald de Andrade nem chegara a se casar comigo! Falava de mim feito de um monumento em São Paulo, vale a pena conhecer Tarsila em São Paulo, virei atração turística, veja só! Quando meu casamento com o Oswald foi até um casamento de luxo, o Washington Luís esteve presente! Falavam de mim, de meus muitos amores!, até de lançadora de modas eu fui chamada. e claro, porque cada vez que eu voltava da Europa eu trazia as novidades, não é mesmo? Eu estava uma vez com um vestido lindíssimo, uma seda meio xadrez, com mangas bufantes e dois laços de fita bem largos, azuis (dona Anette mostra uma edição da "Ilustração Brasileira" e diz que foi em 1924), sabe? Foi o vestido que eu escolhi para o vernissage de obras minhas num conjunto de salas, na rua Barão de Itapetininga, eu estava ali esperando os visitantes. Aí eu vi assim uma porção mesmo de rapazes que vinham na minha direção, como eu estava na porta eu perguntei: "Os senhores querem entrar?" Parecia que era o que eles queriam mesmo, e eu os recebi com muita cordialidade, convidei, mal eu sabia o que eles queriam fazer: todos vieram com giletes no bolso para arrasar com tudo o que eu tinha feito! Mas acho que me estranharam de ver num vestido assim tão bonito e não conseguiram o que pretendias, não.

Leo Gilson Ribeiro - A senhora na sua infância morou em São Paulo ou no interior?
Tarsila - Quando eu era pequena eu morava numa fazenda, meu pai adorava tudo que era fazenda, comprava muitas terras, era um homem muito tico porque o pai dele também era conhecido na genealogia paulista como José Estanislau do Amaral, o Milionário. Ele começou a vida sem nada, fazendo óleo de mamona, tinha um ou dois escravos que o ajudavam a fazer isso e depois foi vendendo, foi melhorando, comprou fazendas, uma porção, vendia café em Santos também, onde ganhava muito com isso. Eu fui criada no campo, acho que é por isso que sou tão forte ainda com a minha idade. Na luta do braço (mostra o braço), até homem é difícil de me vencer, sabe?

Leo Gilson Ribeiro - E na sua pintura também está essa força da terra, do campo?
Tarsila - Exatamente. Sabe? Eu era pequena na fazenda a via minha mãe com muitos santinhos da igreja, já gostava da pintura, tanto que eu fazia as primeiras cópias mal feitas dos santos. São Francisco Xavier eu fiz quando eu tinha uns quatro anos. Adorava desenhar e viver rodeada de galinhas, de pintos e fazia um desenhozinho, de tudo que era animal que eu via. Aí me fizeram presente de uma gatinha branca, eu adorava gatos, chamava-se "Falena", e ela arranjou muitos maridos e eu fiquei com quarenta gatos que me rodeavam miando, lá na fazenda de Capivari. Mas eu passava tempos também na fazendo de São Bernardo, que papai já tinha comprado naquela época, era uma casa muito grande e bonita e até foi vendo as letras da entrada da fazendo que eu fui aprendendo a ler. Sabe, eram letras quase do tamanho deste armário aqui. Minha mãe me ensinava "Olhe, isto aqui é um B, chama-se B esta letra, aqui é um A" e eu me lembrava logo da forma das letras. Eu nem senti que estava sendo alfabetizada antes de entrar para a escola. E fazia também bonecas de mato: um mato que crescia com uns caules quadradinhos e dava flor, eu pegava e fazia com aqueles matos uma espécie de escultura, eu fazia braços e pernas e brincava com aquilo. Eu cresci nessa fazenda e como meu pai soube que ali perto tinha se estabelecido uma família belga, eram nobres Van Harenberg Valmont, tinham uma filha de dezoito anos e, como eu tinha outros irmãos pequenos, papai mandou perguntar se a moça podia vir nos ensinar francês e ela veio mas não nos ensinou nada, mamãe é que ensinou português para ela. O francês eu aprendi porque papai queria os filhos muitos educados, então fomos para a Europa e nunca nenhum francês soube que eu não era francesa: me diziam sempre que eu falava completamente sem "accent étranger", sabe?

Leo Gilson Ribeiro - Em Paris a senhora estava em contato com Picasso, com Apollinaire, com Breton?
Tarsila - Ah, estive, o Cocteau também era nosso grande amigo, eu fazia muitos almoços brasileiros no meu atelier em Paris, que o Paulo Prado descobriu que foi o atelier de Cézanne, na rua Moreau, num bairro até não muito recomendável, mas era tão difícil ter um atelier em Paris! Havia muitos artistas americanos, muitos estrangeiros e era difícil achar. O meu era no quinto andar, tinha que subir tudo a pé, não tinha banheiro, era meio primitivo, banho mesmo era só no "bain publique". Quem ia sempre era o Vila-Lobos e o Cocteau também frequentava, diziam até que ele era muito bom musicista, Vila-Lobos então improvisava num piano de cauda que tinha lá no meu atelier, tocava uma coisa e o Cocteau dizia, fazendo careta de tédio: "Non, ça n'est pas quelque chose de neuf!" (Não, isso não é nada de novo!) Aí o Vila-Lobos tocava outra coisa e o Cocteau balançava a cabeça: "Não isso não é inédito", até que se sentou embaixo do piado alegando que era "pour mieux entendre" (para ouvir melhor), mas nunca aprovando a música do Vila-Lobos, o folclore brasileiro para ele era "déjà entendu" (já ouvido). O senhor pode imaginar as brigas que se armavam, com o Vila-Lobos muito espalhafatoso, muito exuberante... Era um clima, aliás, de constantes discussões, porque eram de partidos literários, políticos, estéticos diferentes e dava aquelas confusões eternas...

Leo Gilson Ribeiro - A senhora teve uma vida muito rica; quando foi que a senhora se sentiu mais feliz?
Tarsila - Foi quando justamente meu pai comprou o solar que havia lá na rua Barão de Piracicaba, porque minha mãe gostava de casa bem grande, era uma mansão mesmo e lá é que eu dava festas, fazia jantares e tinha dois rapazinhos de quinze para dezesseis anos e que eram garçons, eu trouxe uma adega excelente, que ninguém conhecia igual em São Paulo, escolhida peça por peça por um "sommelier" francês com o nome de um artista conhecido, não me lembro agora, Maurice Chevalier? Não, ele se chamava Charles Boyer, acho que era o nome de um artista do cinema, não era?

Leo Gilson Ribeiro - De onde a senhora tira tanta força para viver? Uma queda a deixou presa na cama a maior parte do dia. Recentemente, perdeu a única filha. Logo depois, morreu sua única neta, afogada. Você é religiosa?
Tarsila - Ih, sou, sim. Sou muito devota do Menino Jesus de Praga, porque alcancei muitas graças com as orações a ele. É uma novena milagrosa, eu sei tudo de cor: "Oh Jesus que dissestes: Pedi e recebereis, procurai e achareis, batei e a porta se abrirá", quando eu li isso eu fiquei arrepiada, sabe? de imaginar assim aquela porta se abrindo, se abrindo... Isso me inspirou um quadro de Jesus Menino com um negrinho, que simboliza os humildes, também com japoneses e índios, eu dei de presente para um padre que dirige um orfanato para crianças. Eu copiada oleografias sacras...

Leo Gilson Ribeiro - O Portinari começou também copiando santos.
Tarsila - Ah, tive uma desilusão com Portinari quando conheci um exegeta do cubismo em Paris e frequentei mais de seis meses esse grande professor e acho que o Portinari não sabia fazer pintura cubista. Por exemplo: ele ia fazer o Tiradentes. Fez com pincel e nanquim, desenhado, e depois colocou pedaços de papel e colou em cima do desenho, isso nunca foi cubismo!

Leo Gilson Ribeiro - Além do sentimento religioso, há um tom de lembrança em sua pintura...
Tarsila - Um dos meus quadros que fez muito sucesso quando eu o expus lá na Europa se chama "A Negra". Porque eu tenho reminiscências de ter conhecido uma daquelas antigas escravas, quando eu era menina de cinco ou seis anos, sabe? escravas que moravam lá na nossa fazenda, e ela tinha os lábios caídos e os seios enormes, porque, me contaram depois, naquele tempo as negras amarravam pedra nos seios para ficarem compridos e elas jogarem para trás e amamentarem a criança presa nas costas. Num quadro que pintei para o IV Centenário de São Paulo eu fiz uma procissão com uma negra em último plano e uma igreja barroca, era uma lembrança daquela negra da minha infância, eu acho. Eu invento tudo na minha pintura. E o que eu vi ou senti, como um belo pôr-do-sol ou essa negra, eu estilizo.

Leo Gilson Ribeiro - A sua pintura, tão poética, é então uma evocação enternecedora de uma infância feliz?
Tarsila - Acho que o senhor não está longe de ter acertado.

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Entrevista publicada originalmente na revista Veja, 23 de fevereiro de 1972 - Edição 181.

Texto e imagens reproduzidos do site: elfikurten.com.br

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Quando se tem cabeça de artista plástico...

Imagem reproduzida do site: elcorteingles.es
Postada por ARTE DA PINTURA, para ilustrar o presente artigo.

Publicado originalmente no site do jornal O Globo, em 20/09/2011.

Diário de Carreira: Quando se tem cabeça de artista plástico, visão é como câmera fotográfica interna

Por Renata Sussekind. 

Hoje quero falar um pouco sobre como é, na prática, se tornar um artista plástico. Se é que isso existe! Em primeiro lugar, você tem que sentir o que é vital dentro de você. Parece conversa de botequim, mas não é, não! Vejam o meu caso: tudo é inspiração. Você olha para o universo e ele te devolve o material necessário para o trabalho artístico. Se essa chama existe dentro de você, pode começar em pensar a seguir a minha carreira!

Não é que eu fique procurando, mas as cores e os padrões pulam na minha frente. Às vezes, um pequeno detalhe que percebo num cacho de uvas, por exemplo, pode ser a inspiração para um quadro. É como se eu tivesse uma câmera fotográfica interna que registre tanto o aspecto global como os detalhes envolvidos. Se a sua visão funciona dessa maneira, acho que pode ser um bom profissional da minha área.

Dado o primeiro passo, e o qual considero o mais importante, isso pode ser treinado. Quando tinha meus vinte e poucos anos, vi um documentário chamado "Powers of Ten" (1968/77), de Charles Eames, que me mostrou todas as possibilidades, em tamanhos micro e macro, das nuances de variadas cores e formas. Assim, fui treinando e "brincando" de ver as coisas. Essa "brincadeira" virou uma realidade tão visceral que a uso não somente no meu trabalho, mas também na minha vida.

Foi aí que fiz um curso na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, com João Magalhães. Ter essa experiência foi muito importante porque, além da liberdade de expressão, aprender técnicas diferentes e estar com pessoas do meio foi essencial para eu me tornar artista plástica. A rede de contatos e a troca de experiências é muito enriquecedora! Inscreva-se num curso e comece a experimentar esta nova realidade, que tal?

Minha carreira sempre foi construída de forma bem detalhista. Por isso sempre quis fortalecer a minha base, viajar muito para assim poder abrir o meu ateliê. Quando voltava das minhas viagens de Bali, gostava de expor na minha casa e na casa de amigos. E foi dessa maneira informal que me profissionalizei e, hoje, tenho o meu próprio ateliê.

* Renata Sussekind é artista plástica.

Texto reproduzido do site: oglobo.globo.com

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

O que é arte naif

Obra de Ângela representa a Procissão Marítma.
Foto: Ângela Gomes/Divulgação.
Reprodução do site: g1.globo.com

Arte Naif.
Por Anna Adami.

O significado de Arte Naif, também denominada de Arte Primitiva Moderna pode ser interpretado como um tipo de arte simples, desenvolvida por artistas sem preparo e conhecimento das técnicas acadêmicas. É considerada uma arte com elementos sem conteúdo. O termo inglês Naif pode ser traduzido como ingênuo e inocente, por isso a compreensão simplista. A falta de técnica não retraiu o desenvolvimento desta arte, que recebeu grande destaque, ao ser valorizada por apreciadores da estética e pessoas comuns.

A característica da Arte Naif é o déficit de qualidade formal. Os desenhos e grafias não possuem acabamento adequado, com traços sem perspectiva e visível deficiência na aplicação de cores, texturas e sombras. A estética desta arte pode ser definida como sem compromisso com a arte real, pois mistura de cores sem estudo detalhado de combinações e as linhas possuem traços sempre figurativos e bidimensionais.

Arte Naif é a arte sem escola ou aprendizado técnico. O artista parte de suas experiências próprias e as expõe de uma forma simples e espontânea. Esta estética não pode ser enquadrada em tendências modernistas, sobretudo na arte popular, pois foge a regra. Ao analisar a construção deste tipo de arte, é possível verificar que o artista utiliza experiências pessoais, oriundas de sua convivência com o meio e cultura geral, sendo assim, há uma pequena esfera cultural embutida na Arte Naif. Mesmo assim, estudiosos deste conceito, a comparam a um tipo de arte primitiva e infantil, sem sofisticação ou requinte sistemático.

Afirma-se que este tipo de arte possui liberdade estética e pode ser resumida como uma arte livre de convenções. Críticos dizem que em termos gerais, a Arte Naif é concebida por artistas que pintam com a alma, diferente da arte desenvolvida por artistas acadêmicos, que pintam apenas com o cérebro, não expressando sentimento.

O ícone da Arte Naif é Henri Rousseau, pintor especialista em cores, considerado por muitos como precursor da corrente e principal artista. Henri não possuía educação geral, nem tampouco conhecimento em arte ou pintura. Ao levar a público, sua primeira obra denominada "Um dia de carnaval", no Salão dos Independentes, o artista foi severamente criticado por ignorar princípios básicos de geometria e perspectiva. A obra retratava paisagens selvagens mescladas a um emaranhado de tramas, as quais remetem a sonhos e sentimentos do artista. Mas seu reconhecimento só se fez valer no século XX, após ser admirado por Pablo Picasso, Guillaume Apollinaire, Robert Delaunay e Alfred Jarry, além de renomados intelectuais. Relatos comprovam que sua obra foi reconhecida na França (Paris) e através de sua obra, a Arte Naif influenciou e embasou a corrente estética do Surrealismo de Salvador Dali, no ano de 1972.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_na%C3%AFf
http://www.historiadaarte.com.br/artenaif.html
http://allartsgallery.com/pt-PT/naif

Texto reproduzido do site: infoescola.com

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Documentário História da Arte

Arte ou artesanato?

O papel da arte na formação dos jovens...


O papel da arte na formação dos jovens e na transformação das comunidades.

Educação da sensibilidade. Assim pode ser definido, em uma única expressão, o ensino de Arte. O que isso significa? Perceber crianças e adolescentes de forma integral e mobilizar suas capacidades para que possam participar plenamente das culturas, conhecendo, apreciando, criando e pensando sobre a produção humana de seu tempo e de outros tempos. A Arte desempenha, portanto, um papel fundamental na educação. Certo? Em parte...

“A Arte pode ter muitos papéis, pois tem muitos alcances. Pode fortalecer a identidade, pelo conhecimento das culturas das quais o aluno participa. Pode ampliar a visão de mundo, pelo contato com a produção artística de outros tempos e lugares. Pode dar à criança um espaço de expressão e de participação como produtora de cultura. Pode e deve integrar-se com outras áreas do conhecimento, permitindo uma maior compreensão do mundo”, diz Selma Moura, mestre em Linguagem e Educação pela USP e professora há 16 anos.

“Conhecer diferentes processos artísticos e, por conseguinte, diferentes processos de criação, interferem no processo de aprendizagem no sentido de se estar atento aos diferentes tipos de inteligência, respeitando e valorizando as diferenças de cada aluno. Essa atitude acrescenta possibilidades de discussões enriquecedoras que fazem com que os alunos se percebam como sujeitos ativos de sua própria aprendizagem”, acrescenta Mônica Bolsoni, professora de Artes Plásticas e História da Arte do CAP UERJ e Coordenadora do Pólo UERJ Arte na Escola.

Mas, segundo Mônica, expectativas anacrônicas a respeito dos objetivos das aulas de Artes ainda persistem. “O tempo de aula e a falta de salas específicas demonstram não haver atenção merecida e provam desconhecimento da importância do ensino das Artes na formação dos alunos”, opina. Uma das formas de mudar esta situação, valorizando e utilizando todo o potencial da Educação Artística, é se aproximar da realidade. “Utilizar temas relevantes do momento, relacionar aspectos históricos e propor atividades e ações que carreguem significado durante todo o seu processo”, observa Mônica Bolsoni.

E se o objetivo é aproximar os conteúdos com a vida e a realidade dos alunos, a cultura popular não pode ficar de fora. Sobretudo em um país como o Brasil, com uma produção vasta e diversificada. “É claro que todas as crianças têm direito a conhecer os nomes consagrados na Arte, mas não podemos descuidar também da realidade social de cada aluno, de cada escola, de cada cidade. Nossa produção artística – acadêmica e popular – é riquíssima e não faz sentido ignorá-las ao trabalhar Artes na escola”, confirma Selma Moura.

Por isso, visitar comunidades, conhecer grupos tradicionais, apreciar manifestações como o grafite e o rap e valorizar os conhecimentos trazidos pelas crianças é tão importante quanto visitar museus. “Ao valorizar os conhecimentos das comunidades, fortalecemos a auto-estima das crianças e dos jovens, tornamos a aprendizagem mais significativa e legitimamos o conhecimento popular como digno e válido, ajudando a formar para a cidadania, o respeito à diversidade e a valorização da pluralidade cultural”, acrescenta Selma.

Texto e imagem reproduzidos do site: conexaoprofessor.rj.gov.br/especial

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Artes Plásticas Bacharelado


Artes Plásticas
Bacharelado

Artes Plásticas é a profissão certa para mim?

É a criação de obras, como desenhos, pinturas, gravuras, esculturas e colagens, utilizando elementos visuais e táteis para representar o mundo real ou imaginário. O artista plástico lida com papel, tinta, gesso, argila, madeira e metais, programas de computador e outras ferramentas tecnológicas para produzir suas peças. Expõe os trabalhos em galerias, museus ou lugares públicos, ilustra livros e periódicos, além de, por meio de técnicas de animação, editoração eletrônica e digital, produzir vinhetas para TV e sites. Também gerencia acervos e mostras em centros culturais e fundações.

O mercado de trabalho.

"A demanda existe porque a questão da arte visual está presente em várias áreas da atividade humana. Hoje a visualidade está no celular, na capa do caderno, no computador, na parte gráfica", explica Maria Christina de Souza Lima Rizzi, coordenadora do curso da USP. Além disso, o maior incentivo dos governos federal, estadual e municipal na área cultural faz esse profissional encontrar trabalho em institutos e centros culturais, atuando como monitor, organizador de eventos, educador e coordenador. O terceiro setor (organizações sem fins lucrativos, como ONGs) é outra possibilidade de emprego para esse profissional na curadoria de exposições ou em trabalhos sociais. Dar aulas, para quem é licenciado, é boa opção em escolas do Ensino Infantil, Fundamental e Médio. Além de cumprir a carga horária obrigatória, há muitos estabelecimentos de ensino que oferecem cursos extracurriculares aos alunos. Essa prática vem crescendo nas instituições particulares, abrindo vagas para mais professores. Lecionar em cursos livres de artes é outra opção. Os grandes centros, como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, apresentam demanda. "O Nordeste também possui um bom mercado. A formação cultural deixou de ser um privilégio só de grandes capitais, há locais que propagam cultura própria", afirma Maria Christina Rizzi.

Salário inicial: R$ 41,56 por hora/aula (em escolas particulares, para educação artística; fonte: Sindicato dos Professores do Rio de Janeiro).

O curso.

Como há muitas opções em todas as regiões do país, é preciso atenção para escolher o curso, pois há diferentes habilitações, como animacão gráfica e cerâmica. A maior parte dos cursos são licenciaturas, que preparam o professor para atuar na Educação Infantil e nos ensinos Fundamental e Médio. Depois de fazer a opção pela graduação que mais lhe convier, ainda no vestibular é necessário passar por provas de aptidão. Na faculdade, o forte do currículo são as disciplinas da área de humanas, como história da arte, com as diversas correntes artísticas do Brasil e do mundo, multimeios, sociologia, filosofia, estética, semiótica e comunicação. A carga horária das matérias práticas também é grande, com desenho, pintura e imagens digitais, entre outras. Para se formar, é preciso apresentar um trabalho de conclusão de curso. Algumas escolas também exigem um período de estágio.

Duração média: quatro anos.

Outros nomes: Arte; Arte (educ. art.); Artes; Artes (anim. gráf.); Artes (artes vis.); Artes Aplic. (ênf. em cerâmica); Artes Vis.; Artes Vis. (des. de ilustração); Artes Vis. (educ. art.); Artes Vis. e Tecnol. da Imagem; Belas Artes; Belas Artes (artes plást.); Educ. (artes plást.); Educ. (artes vis.); Educ. (educ. art.); Educ. Art.; Educ. Art. (artes plást.); Educ. Art. (artes vis.); Educ. Art. (des.); Expressão Gráf.

O que você pode fazer.

Escultura
Criar formas tridimensionais com diversos materiais, como metais, pedra, madeira, argila ou gesso.

Ensino
Com licenciatura, dar aulas de educação artística em escolas do ensino básico. Em faculdades, lecionar disciplinas específicas, como história da arte.

Eventos
Selecionar e classificar obras de arte para a organização de mostras e exposições.

Gravura
Desenhar figuras em relevo sobre uma superfície plana de madeira, pedra, tecido ou metal, para posterior impressão.

Multimídia
Elaborar vinhetas, ilustrações ou desenhos animados para emissoras de TV, sites ou exibições públicas, empregando técnicas de animação, vídeo e computação gráfica. Planejar a exposição de obras interativas em museus e galerias.

Pintura e desenho
Representar formas em papel, telas ou paredes usando lápis, tinta, aquarela, pastel, esmalte, cera e outros materiais.

Restauração

Recuperar obras e objetos de arte antigos ou deteriorados, mantendo suas características originais.

Texto reproduzido do site: guiadoestudante.abril.com.br

sábado, 25 de janeiro de 2014

Arte de Tolentino 2013 - Painel de 4 metros


Significado de Artes Plásticas

O que são Artes Plásticas:

Artes plásticas é a designação dada ao conjunto constituído pela arquitetura, a escultura, as artes gráficas e o artesanato artístico.

As artes plásticas são caracterizadas, tal como as restantes artes, tanto global como individualmente, pelo efeito recíproco da forma e do conteúdo. Na evolução dos estilos artísticos se verificam características especiais de desenvolvimento histórico. Cada época, como a românica, a gótica, a barroca ou renascentista, tem estilos característicos regionais (nacionais) e individuais, com evolução própria e ligados a individualidades artísticas isoladas, cuja investigação é do foro da história da arte.

O fato de o princípio da harmonia inerente a uma obra de arte nem sempre estar ligado à concepção corrente de beleza determinada pelos ideais clássicos, já se observa na arte das culturas pré-históricas: separação entre superfície e forma, por exemplo, nas imagens rupestres e utensílios da era glaciar. Encontra-se tanto na arte dos povos primitivos, que serve as finalidades do culto mágico, como na arte popular, nas obras de arte das igrejas e cortes ocidentais e na expressão imagística das crianças, sendo a finalidade de todos os ramos da educação artística auxiliar o desenvolvimento do impulso inconsciente da criação.

A lógica da progressão do desenvolvimento de formas estilísticas através das fases da juventude, maturidade, idade adulta e avançada, bem como a importância do contexto de relações sociais, políticas e religiosas, são também fatores determinantes de todas as artes e obras artísticas, quer tenham por finalidade servir, educar, criticar ou apenas sugerir ou retratar as relações temporais.

A fé cristã, e nomeadamente a vida litúrgica, constituíram até ao início do período barroco as mais importantes forças de fomento da arte ocidental. Contudo, já a partir do Renascimento se verificou uma gradual separação da arte da sua finalidade até aí predominantemente religiosa, sendo fortalecido simultaneamente o interesse por trabalhos puramente estéticos. A consequência extrema deste desenvolvimento foi o surgir, no século XIX, da ideologia da arte pela arte, que todavia, se concretizou menos nas artes plásticas do que na literatura e na música.

As escolas e academias de arte se dedicaram ao ensino das artes plásticas. Os museus, que têm muitas vezes a sua origem em fundações particulares, têm por missão cuidar da herança artística do passado e da conservação de importantes testemunhos da arte contemporânea. Tornam acessíveis ao público, de um modo ordenado, quadros, esculturas, trabalhos gráficos e artesanato artístico, executam os restauros necessários e organizam muitas vezes exposições especiais e itinerantes. Os serviços de manutenção dos monumentos cuidam da conservação de monumentos históricos inamovíveis. Os serviços públicos de conservação da arte fazem também contratos com artistas famosos, transmitem conhecimentos no âmbito da educação de jovens e adultos, editam publicações e efetuam intercâmbios de bolseiros, de resultados de investigações científicas e de coleções com o estrangeiro.

As associações locais de arte, que orientadas por fundações particulares e subsídios públicos, se dedicam essencialmente a exposições e conferências, ocupam desde o século XVIII um importante lugar na conservação e fomento da arte.

Os críticos de arte informam o público sobre acontecimentos e questão da arte contemporânea sob a forma de crítica valorativa. Não se limitam a se pronunciar sobre as exposições e manifestações similares, mas exercem uma pedagogia artística. A Associação Internacional dos Críticos de Arte é desde 1948 a organização internacional que engloba todas as associações de críticos.

Texto reproduzido do site: significados.com.br/artes-plasticas/

terça-feira, 20 de agosto de 2013

A Arte em Forma de Pintura

Mona Lisa, de Da Vinci: uma das pinturas mais conhecidas.

A arte é uma forma de o ser humano expressar suas emoções, sua história e sua cultura através de alguns valores estéticos, como beleza, harmonia, equilíbrio. A arte pode ser representada através de várias formas, em especial na música, na escultura, na pintura, no cinema, na dança, entre outras.

Após seu surgimento, há milhares de anos, a arte foi evoluindo e ocupando um importantíssimo espaço na sociedade, haja vista que algumas representações da arte são indispensáveis para muitas pessoas nos dias atuais, como, por exemplo, a música, que é capaz de nos deixar felizes quando estamos tristes. Ela funciona como uma distração para certos problemas, um modo de expressar o que sentimos aos diversos grupos da sociedade.

Muitas pessoas dizem não ter interesse pela arte e por movimentos ligados a ela, porém o que elas não imaginam é que a arte não se restringe a pinturas ou esculturas, também pode ser representada por formas mais populares, como a música, o cinema e a dança. Essas formas de arte são praticadas em todo o mundo, em diferentes culturas. Atualmente a arte é dividida em clássica e moderna e qualquer pessoa pode se informar sobre cada uma delas e apreciar a que melhor se encaixar com sua percepção de arte.

Conheça o MAM - Museu de Arte Moderna de S. Paulo